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TRADUTOR

terça-feira, 27 de junho de 2017

FRUTOS DO AMOR



 
Nesta Terra bendita
quando nasce um novo ser,  
é o fruto de uma árvore,
que começa a crescer.


Estes frutos do sangue são,
a boa seiva da árvore os rega,
a boa semente ali prevalece,
logo frondosa árvore serão.


Mas  se esta árvore é ditosa,
o que se dirá daquela,
que tendo ou não de si frutos,
novas frondosas árvores originou?


Sem perceber exemplificou,
o amor que em si transbordou,
e com sua boa seiva regou,
tantas e tantas sementes.


Algumas de nada adiantou,
outras até tentaram,
mas sufocadas foram,
pelo ego, pela vaidade, pelo desamor.


Mas algumas apesar das dificuldades,
a brotar começaram,
da boa seiva se saciaram,
nova frondosa árvore formaram.


A boa árvore muitas vezes nem sabe,
quantos bons frutos gerou,
mas os frutos bem o sabem,
são frutos do mais puro amor.


Luconi
27-06-2017

domingo, 18 de junho de 2017

RENASCER DA DOR


Menina senhora, senhora menina, tão bela,
toda noite ali na janela,
horas a fio,
seu olhar vagueia,
como se ali não estivesse,
talvez apenas vivesse,
numa realidade só sua,
onde ser apenas ela pudesse,
sem máscaras,
sem hipocrisias,
sem mentiras.


Como toda noite, de repente,
um longo suspiro,
um triste sorriso,
dos olhos uma lágrima,
que a mão espalmada enxuga,
como se a realidade voltasse,
da janela se afasta,
as cortinas fecha,
não mais a vejo,
mas o seu sentir sinto,
a dor no leito é sua companhia.


Senhora menina, menina senhora,
sua dor qual seria,
o que foi que te feriu,
de dia ninguém percebia,
senhora de si,bela e guerreira,
mas a noite na escuridão,
esquecia da razão,
a noite dava a dor vazão,
toda noite um pouco morria,
mas de suas próprias cinzas,
com a chegada do novo dia renascia.


Luconi
18-06-17



domingo, 11 de junho de 2017

FORMANDO UM ÚNICO EU CADA PEDAÇO DE MIM




Olhava a noite, a brisa fria batia em seu rosto, mas ela estava encafifada com uma pergunta que alguém lhe fizera, alguém lhe pedira para falar da mulher Celeste, ela desconversou, arranjou uma desculpa e foi para casa.
Aquela pergunta a deixara com um ponto de interrogação e ali olhando a noite a sua mente tentou respondê-la.
No entanto não encontrava uma resposta precisa, falar o que da mulher Celeste, da mulher que era?

Não sabia o que falar?

Passou por sua mente a sua vida nos últimos anos, alguns realmente diziam que ela não vivia, que não tinha uma vida dela. Será que não?
Quando trabalhava era uma excelente funcionária, vestia a camisa da empresa, atendia os clientes com toda atenção, não procurava apenas o interesse da empresa, mas sim, procurava associar o bem estar dos clientes aos interesses da empresa, era boa nisso, nunca enganara ninguém.
Depois da aposentadoria, ficara em casa, mas da casa sempre cuidara, dos filhos, do marido, e depois que ele falecera, passou a dedicar-se à família.

Vieram os netos e ela ajudava no que podia, morava com a filha mais nova, ou a filha mais nova morava com ela e o seu filhinho.
Cuidava dele para ela trabalhar e estudar, ficava com ele quando ela saía a noite, era fácil ela já o deixava dormindo.

Isto ocupava todo seu tempo, mal tinha tempo para pequenos lazeres, a noite depois que o pequeno dormia, ela aproveitava para ler, para acessar a internet, às vezes conseguia fazer algum trabalho de crochê ou conectar-se com a sua fé. Já assumir compromissos fora do lar era difícil, os horários da filha eram incertos, até tentara frequentar sua fé, mas a filha não lembrava do dia combinado e raramente chegava no horário, então ela faltava e não era de seu feitio assumir compromisso e falhar, então desistira, teria que aguardar, aguardar o que não sabia.

Vida social não existia, devido a sua reclusão não tinha amigos, os que tinha eram distantes, sair de casa não mais gostava, antes saía com o marido, tudo fazia com  ele, a seu lado sempre estava, mas depois de sua partida, realmente perdera o gosto, nunca fora de sair muito, mas com ele até uma ida ao mercado era um passeio.

E agora essa pergunta? Como é a mulher Celeste? Ora bolas, não é. Não existe só a mulher, aliás ela pouco tem voz, existe sim a mãe, a avó, a dona de casa, a irmã, a tia,  a amiga, a mulher de fé, fé essa que nunca perdeu por pior que fossem os vendavais.

No passado, antes de conhecer o marido, já tinha a sua fé e a praticava, mas também, gostava de sair, de ouvir um samba, de estar com uma amiga para jogar conversa fora, mas sempre colocando a mãe em primeiro lugar, pois já tinha dois filhos.  E jamais os deixava quando estavam em casa, mas quando iam pra casa do pai, aproveitava para fazer as coisas que gostava.

Bem essa era ela, o que fora e o que é agora, se ver unicamente como mulher nunca acontecera. Não a pergunta  estava errada, a mulher Celeste era a soma de todas as Celestes que nela havia.

Sorriu, era feliz assim, consigo trazia em seu interior muita paz, certeza de estar tentando fazer o melhor para os que amava e para aqueles que seu caminho cruzasse, esta era  ela a Celeste, a soma de tudo, cada parte sua formando um único eu,
não sentia falta de nada, talvez de alguém que nesta Terra já não se encontrava.

Olhou a noite, deixou-se envolver pela sua energia, suspirou fundo sentindo que alguém com ela também suspirava, então sentiu-se completa.



Luconi
10-06-17

sábado, 3 de junho de 2017

VIAGEM A UM NAVIO TUMBEIRO



Viajei por altos mares,
do Brasil colonial,
navio tumbeiro visitei,
a maldade do humano desumano conheci,
pelos negros aprisionados,
torturados e mortos,
chorei.


Um choro que de vergonha me cobriu,
vergonha do homem branco poderoso,
que a ganância se entregou,
tão superior se achando,
que até de Deus duvidou,
então eu clamei,
Sua justiça me mostrou.


A cortina do céu se abriu,
vi os negros mortos,
por luzes em festa serem recebidos,
mas vi o branco morto poderoso,
por garras invisíveis ser puxado,
no abismo mais profundo trancafiado,
até o dia do seu sincero arrependimento.


Então nesta minha viagem,
ainda vi os negros na luz orando,
por aquele branco pedindo,
energias de amor a ele enviando,
que como bálsamo iam agindo,
aquele homem branco sustentando,
por milênio até que ele por Deus clamou.


De minha viagem voltei,
dando ao Criador graças,
porque a todos dá conforme suas obras,
mas sempre ao caído proporcionando,
uma nova chance para a evolução,
tudo no tempo certo,
não há pressa pois imortal é o espírito.


Luconi
03-06-2017



Gente viajei mesmo, através de um lindo livro que fiz revisão e me proporcionou essa inspiração, vai demorar um bocadinho ainda para a edição, mas assim que isto acontecer trago aqui, para que vocês também viajem e conheçam a Sabedoria Divina.